Nem o perfume dos cravos,/ Nem a cor das violetas,/ Nem o brilho das estrelas,/ Nem o sonhar dos poetas,//Pode igualar a beleza/ Da primorosa flor,/Que abre na tua boca/ O teu riso encantador.

"Nem o perfume dos cravos,/ Nem a cor das violetas,/ Nem o brilho das estrelas,/ Nem o sonhar dos poetas,//Pode igualar a beleza/ Da primorosa flor,/Que abre na tua boca/ O teu riso encantador." -  Florbela Espanca

Onde estás ó meu amor,/Que te não vejo aparecer?/ Para que quero eu os olhos/Se não servem para te ver?//Que me importa a luz suave/ Dos olhos que o mundo tem?/ Não posso ver os teus olhos/ Não quero ver os de ninguém.

"Onde estás ó meu amor,/Que te não vejo aparecer?/ Para que quero eu os olhos/Se não servem para te ver?//Que me importa a luz suave/ Dos olhos que o mundo tem?/ Não posso ver os teus olhos/ Não quero ver os de ninguém." -  Florbela Espanca

Quando me não quiseres mais/ Mata-me por piedade!/ Deixares-me a vida, sem ti/ É bem maior crueldade!

"Quando me não quiseres mais/ Mata-me por piedade!/ Deixares-me a vida, sem ti/ É bem maior crueldade!" -  Florbela Espanca

Tenho por ti uma paixão/ Tão forte e acrisolada,/ Que até adoro a saudade/ Quando por ti é causada.

"Tenho por ti uma paixão/ Tão forte e acrisolada,/ Que até adoro a saudade/ Quando por ti é causada." -  Florbela Espanca

Queria ser a erva humilde/ Que pisasses algum dia,/ Pra debaixo de teus pés/ Morrer em doce agonia.

"Queria ser a erva humilde/ Que pisasses algum dia,/ Pra debaixo de teus pés/ Morrer em doce agonia." -  Florbela Espanca

Bendita seja a desgraça,/ Bendita a fatalidade,/ Benditos sejam teus olhos/ Onde anda a minha saudade//Não há amor neste mundo/ Como o que eu sinto por ti,/ Que me ofertou a desgraça/ No momento em que te vi.

"Bendita seja a desgraça,/ Bendita a fatalidade,/ Benditos sejam teus olhos/ Onde anda a minha saudade//Não há amor neste mundo/ Como o que eu sinto por ti,/ Que me ofertou a desgraça/ No momento em que te vi." -  Florbela Espanca

Sou mais infeliz que os pobres/ Que têm fome na rua./ Também eu ando faminta/ De beijos da boca tua.

"Sou mais infeliz que os pobres/ Que têm fome na rua./ Também eu ando faminta/ De beijos da boca tua." -  Florbela Espanca

Desde que o meu bem partiu/ Parecem outras as cousas;/ Até as pedras da rua/ Têm aspecto de lousas!//Quando por acaso as piso,/ Perturba-me um tal mistério!.../ Como se pisasse à noite/ As pedras dum cemitério...

"Desde que o meu bem partiu/ Parecem outras as cousas;/ Até as pedras da rua/ Têm aspecto de lousas!//Quando por acaso as piso,/ Perturba-me um tal mistério!.../ Como se pisasse à noite/ As pedras dum cemitério..." -  Florbela Espanca

Não sei se tens reparado/ Quando passeia, o luar/ Pára sempre à tua porta/ E encosta-se a chorar;//E eu que passo também/ Na minha mágoa a cismar/ Paro junto dele, e ficamos/ Abraçados a chorar!

"Não sei se tens reparado/ Quando passeia, o luar/ Pára sempre à tua porta/ E encosta-se a chorar;//E eu que passo também/ Na minha mágoa a cismar/ Paro junto dele, e ficamos/ Abraçados a chorar!" -  Florbela Espanca

Abaixo sempre os meus olhos/ Quando encontro o teu olhar;/ De ver o sol de frente/ Ninguém se pode gabar!

"Abaixo sempre os meus olhos/ Quando encontro o teu olhar;/ De ver o sol de frente/ Ninguém se pode gabar!" -  Florbela Espanca

Amor, é comunhão de almas/No mesmo sagrado altar;/ Contigo, amor da minha alma,/ Quem me dera comungar!

"Amor, é comunhão de almas/No mesmo sagrado altar;/ Contigo, amor da minha alma,/ Quem me dera comungar!" -  Florbela Espanca

Há uma palavra na terra/ Que tem encantos do céu;/ Não é amor, nem esperança,/ Nem sequer o nome teu.//Essa palavra tão doce,/ De tanta suavidade,/ Que me faz chorar de dor/ Quando a murmuro: é saudade!

"Há uma palavra na terra/ Que tem encantos do céu;/ Não é amor, nem esperança,/ Nem sequer o nome teu.//Essa palavra tão doce,/ De tanta suavidade,/ Que me faz chorar de dor/ Quando a murmuro: é saudade!" -  Florbela Espanca

Não sei que têm meus versos;/ Alegres quero fazê-los/ Mas ficam-me sempre tristes/ Como a cor dos teus cabelos.

"Não sei que têm meus versos;/ Alegres quero fazê-los/ Mas ficam-me sempre tristes/ Como a cor dos teus cabelos." -  Florbela Espanca

Quando um peito amargurado/ Adora seja quem for,/ Por muito infame que seja/ Bendito seja esse amor!

"Quando um peito amargurado/ Adora seja quem for,/ Por muito infame que seja/ Bendito seja esse amor!" -  Florbela Espanca

Está tudo quanto olho/ Na escuridão mais intensa,/ Faltou de teus olhos lindos/ A luz profunda e imensa...

"Está tudo quanto olho/ Na escuridão mais intensa,/ Faltou de teus olhos lindos/ A luz profunda e imensa..." -  Florbela Espanca

Que filtro embriagante/ Me deste tu a beber?/ Até me esqueço de mim/ E não te posso esquecer!

"Que filtro embriagante/ Me deste tu a beber?/ Até me esqueço de mim/ E não te posso esquecer!" -  Florbela Espanca

Há em tudo quanto fitas/ Pureza igual à dos céus,/ Até são belos meus olhos/ Quando lá poisam os teus!

"Há em tudo quanto fitas/ Pureza igual à dos céus,/ Até são belos meus olhos/ Quando lá poisam os teus!" -  Florbela Espanca

Os teus dentes pequeninos/ Na tua boca mimosa,/ São pedacitos de neve/ Dentro dum cálix de rosa.

"Os teus dentes pequeninos/ Na tua boca mimosa,/ São pedacitos de neve/ Dentro dum cálix de rosa." -  Florbela Espanca

Quem na vida tem amores/ Não pode viver contente,/ É sempre triste o olhar/ Daquele que muito sente.

"Quem na vida tem amores/ Não pode viver contente,/ É sempre triste o olhar/ Daquele que muito sente." -  Florbela Espanca

Quando o teu olhar infindo/ Poisa no meu, quase a medo,/ Temo que alguém adivinhe/ O nosso casto segredo.//Logo minha alma descansa;/ Por saber que nunca alguém/ Pode imaginar o fogo/ Que o teu frio olhar contém.

"Quando o teu olhar infindo/ Poisa no meu, quase a medo,/ Temo que alguém adivinhe/ O nosso casto segredo.//Logo minha alma descansa;/ Por saber que nunca alguém/ Pode imaginar o fogo/ Que o teu frio olhar contém." -  Florbela Espanca

Tanto ódio e tanto amor/ Na minha alma contenho;/ Mas o ódio inda é maior/ Que o doido amor que te tenho//Odeio teu doce sorriso,/ Odeio o teu lindo olhar,/ E ainda mais a minha alma/ Por tanto e tanto te amar!

"Tanto ódio e tanto amor/ Na minha alma contenho;/ Mas o ódio inda é maior/ Que o doido amor que te tenho//Odeio teu doce sorriso,/ Odeio o teu lindo olhar,/ E ainda mais a minha alma/ Por tanto e tanto te amar!" -  Florbela Espanca

Dizem-me que te não queira/ Que tens, nos olhos, traição./ Ai, ensinem-me a maneira/ De dar leis ao coração!

"Dizem-me que te não queira/ Que tens, nos olhos, traição./ Ai, ensinem-me a maneira/ De dar leis ao coração!" -  Florbela Espanca

Eu sei que me tens amor,/ Bem o leio no teu olhar,/ O amor quando é sentido/ Não se pode disfarçar.//Os olhos são indiscretos,/ Revelam tudo que sentem,/ Podem mentir os teus lábios,/ Os olhos, esses, não mentem.

"Eu sei que me tens amor,/ Bem o leio no teu olhar,/ O amor quando é sentido/ Não se pode disfarçar.//Os olhos são indiscretos,/ Revelam tudo que sentem,/ Podem mentir os teus lábios,/ Os olhos, esses, não mentem." -  Florbela Espanca

Quando o olvido vier/ Teu amor amortalhar,/ Quero a minha triste vida,/ Na mesma cova, enterrar.

"Quando o olvido vier/ Teu amor amortalhar,/ Quero a minha triste vida,/ Na mesma cova, enterrar." -  Florbela Espanca